sábado, março 19, 2005

A Vida e tudo o que há de bom (e de ruim).

Se antes não sobrava tempo para nada, hoje em dia tudo ficou pior.
Não sou de achar que quando um ano acaba, acabam-se também os problemas, mas eu achava que as coisas começariam melhores. Só que isso não é bem verdade. É só uma ilusão de que o começo do ano é tranqüilo e tal. Quem não trabalha com revistas nunca vai entender que não tem nem mês, nem semana calma, que dirá época do ano.

Não há mais tempo para nada. Não dá para ir ao médico nem para saber se a minha dor nas costas é um simples problema de postura. É bem provável que seja, mas, oras, não sou adivinha nem médica e preciso de um tempo para esse tipo de coisa. Também não dá para ir à manicure nem para tirar unha encravada, muito menos para o habitué. A raiz do meu cabelo está sempre precisando de retoques e adquiri um par de olheiras que não dá pra acreditar. Não que eu seja um monstro (por mais que eu me esforce, isso não seria possível), mas ando extremamente ensandecida com essa falta de tempo, porque, quando chega o fim de semana, quero fazer tudo que deixei pra trás durante a semana, mas não tenho tempo, porque ainda faltam as coisas que deixo para resolver no fim de semana, como o curso de inglês, a visita à minha irmã e coisas do gênero. Ando trocando palavras e, somente em uma semana, por dois dias consecutivos, vesti a calcinha do lado do avesso (!). Fiquei passada! Porque essas coisas nunca me aconteceram. Vestir roupa do lado avesso chega a ser ridículo. Tá certo que é só uma calcinha, mas pra mim beira desatenção em excesso e só fui perceber quando já estava no escritório, lá pelas três horas da tarde.

Um dia, um pouco depois da virada do ano, achei que devia comprar algumas roupas de cama, pois acho que mereço dormir o pouco de tempo que me resta numa cama macia e cheirosa, com travesseiros, lençóis e cobertores novos. Fui à loja, gastei os tufos de dinheiro e saí feliz com as compras. Cheguei em casa, desfiz as embalagens e arrumei a cama. Deitei. Dormi tão profundo que parecia que tinha tomado uma anestesia geral ou uma porrada na cabeça (a comparação que for melhor). Foi fantástico. Essa foi a última noite em que aproveitei tanto a minha cama. E, isso, já faz quase três meses! Chegaram a sugerir que eu dormisse no hotel que fica próximo ao escritório! Faça-me o favor! Gastei uma grana violenta comprando roupas de cama pra ter de dormir em um hotelzinho? Isso não é vida!

Bom, voltando... Tem sido comum virar a noite no escritório e só ir para casa para tomar banho e voltar ao trabalho de novo. E justo as noites que eu tenho dormido em casa são as mais curtas. São as noites em que chego tarde e saio cedo, com cara de zumbi assustado e atrasado. É sempre uma beleza e foi numa manhã dessas em que vesti a calcinha do lado avesso. Chegou ao cúmulo de passar três dias sem ver a minha mãe e um mês e meio sem ir visitar a minha irmã e minha sobrinha.

Mas, se por um lado a coisa anda tão caótica, por outro não posso me queixar. No Carnaval encontrei uma família de amigos que não via há anos (dez anos, para ser mais exata) e fui com eles passar o feriado no Guarujá. Essa sim, é a cidade do capeta no Carnaval! Conheço há anos o Guarujá, a tal Pérola do Atlântico, e desde bebê freqüento o lugar, mas há muito tempo não via uma zona tão grande. Fiquei abismada com a concentração de pessoas, todas com o mesmo objetivo: infernizar a vida dos outros com as porras das espumas em spray. Aquilo é uma merda de fedido! E quando cai nos olhos parece cola misturada com areia. Lembro, nos idos de 1990, do acontecimento marcante do primeiro arrastão no Guarujá, bem no dia do desaparecimento do helicóptero em que viajava o Ulysses Guimarães (às vezes, ir ao Guarujá pode ser mais seguro do que viajar até Angra dos Reis, acredite!). A praia até que é boa, mas foi-se o tempo em que, nas areias do Guarujá, desfilavam somente beldades. As pessoas, que não são tão abençoadas com a beleza, descobriram que ir ao Guarujá tem muito mais “glamour” do que ir à Praia Grande ou Cidade Ocian. E, num dos dias em que fiquei por lá, percebi que dois casais passaram quase todo o Carnaval dormindo, trocando de roupa e comendo dentro de um Palio estacionado em uma rua, de frente para o mar. No primeiro dia, fiquei pensando como é que aquelas pessoas faziam para tomar banho, mas desisti assim que vi que eles tinham feito uma espécie de tenda com toalhas dentro do carro. Coisas peculiares eu vi aos montes. Quem me conhece sabe bem que não sou uma pessoa de frescuras. Já me meti em muita roubada e não sou de fazer exigências, mas nunca precisei montar uma tenda dentro de um carro, dormir torta no banco do passageiro e ficar sem tomar banho, só para aproveitar o Carnaval, ou qualquer outro feriado, num lugar diferente. Também, isso não importa, porque, na verdade, todos querem se divertir e sair da rotina. Às vezes uma rotina pior que a minha, sei lá.

O fato é que o meu feriado foi um dos melhores por causa da companhia dos meus amigos. Foi muito bom reencontrá-los depois de tanto tempo. Conversar com verdadeiros amigos é curioso porque, mesmo que você esteja há tanto tempo sem falar com eles, quando você os encontra, parece que foi ontem o último dia em que você os viu. É claro que, depois de dez anos, a gente espera que as pessoas tenham evoluído, e isso é muito natural que aconteça, e, exatamente por causa dessa evolução, o reencontro pode não ser tão bom porque você vai esperando que a pessoa tenha mudado muito. Quando você descobre que ela cresceu física e mentalmente, mas que o espírito é o mesmo, que os conceitos e a formação quase nunca mudam tão radicalmente, é um deleite. E, nem mesmo o Guarujá se parecendo com o lar do capeta, vulgo Inferno, com arrastões em estacionamentos, espumas em spray e gente feia... Mesmo com a muvuca só mudando de lugar, sendo, de dia na praia e a noite no calçadão, nada disso estragou meu feriado. A companhia é tudo, não importando o lugar. Voltei com a certeza de que posso viver sem folga no trabalho, dormir pouco e passar o resto da minha vida contando os trocados na carteira, mas boas companhias e pessoas em quem a gente confia, nós, seres humanos em plena ignorância, temos de ter a nossa volta! É fundamental.

Mas, uma hora, o feriado teria de acabar. E, é claro que acabou. E cheguei a São Paulo com os pés no fechamento das duas revistas. Uma semana após o término, por volta do dia 18 de Fevereiro, já estávamos colocando em produção nossa terceira revista que só foi finalizada com 10 dias de atraso. E assim, tive um fechamento grudado no outro, em Fevereiro e depois em Março. Agora, dia 19 de Março, um mês e nove dias depois do feriado, me sinto um lixo, um bagaço e a única coisa que trago de bom na lembrança são os dias daquele maravilhoso feriado. Nunca gostei tanto de carnaval.

Finda a semana e, depois da aula de inglês do sábado, sento no sofá para ler a Veja, que agora chega aos sábados (imagino como sofrem os que trabalham lá na Editora Abril) e me deparo com notícias como a do Sr. Severino, o envolvimento do Brasil com as Farc e a notícia de que os Estados Unidos estão desenvolvendo uma arma que dispara dor (!). Pelo menos li que o PIB Estadual cresceu mais que o Federal e isso, aparentemente, é uma boa notícia! Vamos ver se isso fará alguma diferença daqui uns anos.

O que quero mesmo, é poder chegar em casa, deitar na minha cama de lençóis limpos e novos e, depois de um dia (e às vezes noite de trabalho), dormir tranqüila. Colocar a cabeça no travesseiro, respirar fundo e fechar os olhos, lembrar que todas as contas estão pagas e que a minha saúde está em dia.

E, foda-se o Severino!

3 comentários:

  1. "E, foda-se o Severino!" vai virar jargão!!

    Beijos

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  2. Anônimo10:22 AM

    Nossa Lu, fiquei cansada só de ler o seu post...

    Espero que os dias insanos melhorem em breve!

    Bjs
    Mira

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  3. Muito bom passar momentos especiais com pessoas especias. Não importa o lugar.
    Coitado do Severino. Não deve ter essa oportunidade!

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