segunda-feira, novembro 28, 2011

Cãozinho encontrado. Divulguem!

O cãozinho destas fotos foi encontrado na tarde de ontem (27/11/2011) próximo ao Viaduto dr. Eduardo Saigh e à estação Imigrantes do metrô, por volta das 16h. Ele é macho e está castrado, está muito bem cuidado e é muito dócil e tem aproximadamente 5 anos. No momento, ele está na casa da minha mãe e se souberem de algo entrem em contato comigo através dos comentários desta página, mesmo.

Por favor, divulguem. Eu, como amante dos animais, sei que alguma pessoa está sofrendo com o desaparecimento desse cãozinho tão bem cuidado e meigo. Obrigada pela atenção de todos!




domingo, junho 05, 2011

O Sentido da Revolução de 32 - Por Simon Schwartzman em O Jornal do Brasil

Encontrei um artigo que, apesar de escrito há 3 décadas, continua atual e pertinente, por isso decidi compartilhar.

Por favor, espalhem, divulguem! Conhecimento nunca é demais.

Obrigada!

Luciana Toledo
Presidente MRSP

O Sentido da Revolução de 32
Simon Schwartzman
Publicado no Jornal do Brasil, Caderno Especial, p. 1, 6 de novembro de 1982

Cinqüenta anos passados, e o Brasil parece não haver ainda se compenetrado do sentido de 32. Na história oficial, a Revolução Constitucionalista ficou como uma tentativa frustrada de fazer voltar a roda do tempo, para os idos da República Oligárquica, da política dos governadores, das atas falsas e da política do café com leite. A oligarquia do café, nesta versão, resistia como podia ao Brasil moderno, organizado, centralizado e industrializado que tinha sido o grande objetivo da Revolução de 30, e que Vargas trataria de realizar nos anos vindouros.

A versão paulista, é claro, era totalmente distinta, Para muitos de seus entusiastas, a Revolução de 32 foi, como seu próprio nome indicava, um movimento pela constituição, pela democracia, pela liberdade, ameaçada pelas tendências totalitárias que se prenunciavam. Para os paulistas tratava-se, acima de tudo, de garantir sua autonomia e independência em relação ao poder central, não para deter o progresso, mas para, exatamente, impulsioná-lo. Monteiro Lobato, extremado como sempre, levava aos limites este ponto de vista, em manifesto escrito para a população paulista em agosto daquele ano. "Criador de riquezas que é", dizia ele, referindo-se a seu Estado, "não pode deixar a riqueza que já criou, e que está habilitado a ir criando, à mercê da pilhagem sistemática, e crescente, que por meio do governo central todo o resto da federação vem procedendo". Ele investe contra a "perturbação militarista que assumiu a forma da ditadura-Getúlio", e sugere que os paulistas se armem pessoalmente, como na Suiça; E proclama seu objetivo: "Hegemonia ou Separação. Ou São Paulo assume a hegemonia política que lhe dá a hegemonia de fato que já conquistou pelo seu trabalho no campo econômico e cultural, ou separa-se". E radicaliza: Aceitemos Hobbes. Sejamos lobos contra lobos. Lobos gordos contra lobos famintos. Organizemos nossa defesa. Tenhamos ate nossa Tcheka interna, nos moldes russos...." (transcrito em Hélio Silva, 1932 - A Guerra Paulista, Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1967).

A cisão entre São Paulo e o governo central não se explica por um simples confronto entre progressistas e conservadores. O governo mineiro de Olegário Maciel não estava mais à esquerda que o Partido Republicano Paulista; e o Partido Democrático, paulista, era certamente mais liberal do que o Clube 3 de Outubro, formado pelos Tenentes, aos quais não faltavam personalidades fortemente populistas, como Pedro Ernesto. A diferença básica era a das experiências vividas e das concepções de cada um dos lados sobre o presente e o futuro do país, tão diferentes que não se comunicavam, e que terminaram se confrontando pela força das armas, para mais tarde se acomodarem sob a força das circunstancias. Eram dois Brasís em formação que se a força chocavam num confronto que, em certo sentido, ainda persiste.

O Brasil de Vargas que se plasmava, na visão de seus mais lúcidos ideólogos, era o de um Estado forte, centralizado, interventor e racional, que se organizava e se sobrepunha a uma sociedade primitiva, débil e dominada por oligarquias parasitarias e incompetentes... E claro que a realidade política era mais complicada do que isto, e em 1932 o Governo Provisório era ainda um amalgama pouco claro de oligarquias regionais, velhos militares, tenentes do Clube 3 de Outubro e alguns setores urbanos mais mobilizados e esperançosos, sob a liderança hesitante de Getúlio Vargas. A Revolução de 32, embora derrotada, provoca uma contenção dos mais impacientes, e conduz à Constituinte de 1934. Só mais tarde, em 1937, é que o grande projeto do Estado Novo tem sua chance de ser testado. Inspirado nos modelos autoritários da Europa, o novo regime fortalece a maquina administrativa interventora, trata de desenvolver a industria e modernizar as forças armadas, e se livra dos que, tanto à esquerda quanto à direita, buscavam criar formas independentes e autônomas de organização e mobilização social. Haviam, no entanto, limites ao poder tecnocrático, e a necessidade de uma politica de alianças que acabou se exercendo com os representantes mais passivos e aquiescentes das velhas oligarquias regionais... Isto explica, em boa parte, porque os grandes projetos nacionais se diluíam em sua implementação quotidiana. Isto explica, também, o conservadorismo do grande partido Varguista do após guerra, o PSD. Ao final da guerra, com a retórica autoritária em recesso e os ideais da democracia liberal em ascensão, surge um componente até então contido e reprimido do varguismo, o apelo direto "ao povo , principalmente das grandes cidades. Era o populismo que surgia. Uma das conseqüências significativas de 32, no entanto, foi que os grandes partidos varguistas, o PSD e o PTB, jamais conseguiram expressão em São Paulo, e o populismo paulista, criado à sombra do Estado Novo por Ademar de Barros, jamais se acomodou ao sistema político-partidário do pós-guerra.

Como teria sido se São Paulo tivesse vencido? Houve quem comparasse aquele período com a Guerra da Secessão nos Estados Unidos, com a diferença que, enquanto lá a vitoria foi do norte moderno e capitalista contra o sul tradicional e escravocrata, aqui teria ocorrido exatamente o inverso. São Paulo representava em boa parte, como bem o percebia Monteiro Lobato, a linha de frente do desenvolvimento capitalista no Brasil... No pior dos cenários, a vitória paulista poderia ter significado a vitoria dos "lobos gordos" contra os "lobos famintos", e uma concentração maior ainda dc) que a de hoje da riqueza nacional na região paulistana. Existem, no entanto, vários cenários mais favoráveis.

O crescimento do capitalismo paulista vinha associado a uma população cada vez mais educada, a um proletariado cada vez maior e mais organizado, e a um grande fluxo de imigração europeia, que trazia de seus países novas mentalidades. Um sistema político centrado em São Paulo, em que predominassem estes elementos, poderia quem sabe ter resultado em algo mais ao estilo das democracias ocidentais da Europa, com mais pluralismo, menos autoritarismo, e mais competência na gestão da coisa pública. Estes eram, sem dúvida, os ideais do Partido Democrático, que propunha um regime federativo muito mais definido para o país, com estrito controle do Presidente (eleito por via indireta) pelo Congresso. Poderíamos ter tido partidos políticos de cunho mais claramente capitalista e burguês, que defendessem de forma pública e clara os interesses de sua classe; e partidos operários e socialistas apoiados em um sindicalismo forte e independente, é não na maquina sindical controlada pelo Mínistério do Trabalho; poderíamos ter tido uma universidade mais dinâmica, baseada na inspiração original da USP, e um sistema educacional mais abrangente e de melhor qualidade, no lugar da camisa de força imposta a todos pelo Ministério da Educação...

Mas, teria sido possível este cenário? Provavelmente não. Primeiro, porque haviam muito mais "lobos famintos" do que "lobos gordos" e atrás dos famintos um exército de ovelhas apostando nos despojos. Segundo, porque o São Paulo que se sublevava não era somente o do Brasil moderno, mas também o do velho PRP e das plantations da café, preocupados acima de tudo em recuperar suas posições de mando e o fluxo de sua renda, tão abalado pela crise mundial de 1929. A derrota paulista de 1932 contribuiu para cristalizar uma tendência que já vinha desde antes, que era a de um pacto de dependência dos grupos econômicos mais fortes, ligados principalmente à agricultura de exportação, em relação ao Estado nacional. Era um pacto que foi sendo gradualmente estendido a outros setores da sociedade à industria, aos sindicato a, às organizações profissionais, aos partidos e movimentos políticos pelo qual uma fatia mais ou menos significativa dos benefícios do desenvolvimento e da ordem social lhes são assegurados, em troca do abandono definitivo de projetos políticos próprios. O resultado e uma sociedade politicamente débil e irresponsável, ao lado de um Estado hipertrofiado, sem limites a sua ação, mas, paradoxalmente, cada vez mais incapaz de governar

Lembrar 32 significa, acima de tudo, tomar consciência de que as coisas devem e, quem sabe, podem vir a ser diferentes.


(link para o texto original: http://www.schwartzman.org.br/simon/rev32.htm )

quinta-feira, janeiro 28, 2010

cabelo da cabeça, dente da boca

Mais das coisas que já ouvi...

Você fica quieto, senão eu quebro todos os dentes da sua boca!

e...

Você fala assim porque você ainda tem os cabelos da cabeça!

hahaha, eu me divirto...

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Cada uma que a gente ouve...

Durante meus 33 anos eu ouvi cada pérola que é de cair pra trás de tanto rir. Por isso resolvi montar frases com as palavras e termos que acho mais peculiares.

Obviamente que não foram tods proferidos pela mesma pessoa, muito sim, mas não todos.

Bem, lá vamos nós: primeira pérola

Perto da minha casa tem uma rosseteria que vende um roncombole maravilhoso. E o talarim, então? Se bem que quando eu vou lá, aproveito também pra comprar um pouco de tomate seco, porque, afinal de contas ninguém é filho de Deus.


quinta-feira, janeiro 07, 2010

Kosovo Bandeirante

Que paulista nunca pensou em ver São Paulo separado do Brasil?
Por Fábio Fujita
Revista Piauí - Janeiro 2010

Na infância de Luciana Toledo, não eram bichos de sete cabeças ou fantasmas que povoavam seus pesadelos. Os algozes do sono usavam fardas e empunhavam escopetas. O trauma estava ligado a sua bisavó, que se habituou a esconder as filhas no armário, com medo de que fossem raptadas ou molestadas durante a Revolução Constitucionalista de 1932, a guerra civil motivada pela resposta de São Paulo ao golpe de Estado de Getúlio Vargas. "Essas pessoas que entrariam em casa seriam os combatentes do Brasil, do grupo do Getúlio", explica.

Conforme Luciana crescia, a imagem dos homens de farda foi se tornando cada vez mais esfumaçada - mas a ideia de seu estado injustiçado, mais latente. Ela virou uma defensora espontânea dos valores paulistas. Certa vez, discutiu com uma colega de trabalho, ao ouvir dela que a feijoada seria um prato da culinária mineira; para Luciana, a terra de Aécio Neves apenas se apropriou da iguaria suína - naturalmente paulista.

O provincianismo ganharia contornos de militância quando ela se desentendeu com um antigo chefe. Luciana não engolia o fato de não conseguir um aumento quando via o patrão investindo em novos equipamentos, dirigindo bons carros, fazendo viagens recorrentes com a família. O empregador bradava contra a licença-maternidade e sonegava impostos - no entendimento dela, um acinte por parte de um migrante que, em São Paulo, "fizera a vida". (Luciana prefere não falar de onde vinha o patrão, para não ser tachada de bairrista.)

Nessa época, 2006, Luciana conheceu na internet o Movimento República de São Paulo, o MRSP, trupe de militantes que sonham em ver o estado comandado por José Serra como uma pátria livre. Se identificou. Hoje, responde pela vice-presidência do movimento.

Os integrantes do movimento, sediado na Vila Esperança, zona leste de São Paulo, se reúnem duas vezes ao mês. Segundo o presidente do grupo, Paulo Roberto Silva, são 639 associados em todo o estado. Ele diz que o ideal separatista é coisa de berço: "A gente não transforma ninguém em separatista. Nós cooptamos a pessoa que já pensa assim." No caso de Silva, questões envolvendo injustiças com o estado eram normalmente debatidas nos jantares de sua família, que, segundo ele, está estabelecida "há 300 anos" na cidade. "Diga qual paulista ou paulistano nunca pensou na ideia de São Paulo separado do Brasil?", questiona.

A partir da influência dos familiares, Silva foi se engajando naturalmente nos temas relacionados a São Paulo. "Descobri as injustiças tributárias que existem, e aí a gente começa a entender como funciona a 'pseudofederação'", explica. Ele menciona a participação paulista no PIB nacional, na ordem de 34%. "Não acho justo que um estado com essa proporção tenha que pedir empréstimo ao BNDES para construir metrô. Somos roubados", aponta. Outro aspecto não menos importante, cita, é a representação parlamentar no Senado. "São Paulo tem a mesma que o Acre, que é um estado com uma população próxima à de Mogi das Cruzes", compara.

Na Neverland ideal de Silva, o Brasil entraria num processo gradativo de desfragmentação do atual sistema federativo, "que é extremamente centralizador". "Queremos todos os Estados autônomos, como repúblicas independentes", postula. Seria algo como a União Europeia. Para isso, pretende criar, em longo prazo, um partido que tenha por bandeira a luta por essa substituição do sistema. "A ideia é que tenhamos chapa completa, com candidatos a vereador, prefeito, governador, deputado e senador", diz.

A vice-presidente Luciana admite que a proposta é um tanto utópica, ainda que a deseje muito. "Honestamente, não vejo isso acontecendo. Imagino que a gente vá levar pelo menos mais umas duas gerações para conscientizar todo mundo. Quanto tempo não levou para que as pessoas em Kosovo se revoltassem e fizessem o que fizeram?", analisa.

Tanto Silva quanto Luciana fazem questão de frisar que o movimento refuta qualquer conotação de preconceito que o ideal separatista possa transparecer. "Aceitamos pessoas de todos os lugares", assegura Silva. Mas Luciana faz a ressalva de que há dois pesos e duas medidas quando se fala de provincianismos. Cita um hipotético paraibano que venha para São Paulo e se orgulhe de suas origens, ao estampar um adesivo "100% Paraíba" no carro. "Ele tem que ter esse orgulho mesmo", diz. "Mas se eu colocar um adesivo no meu carro dizendo '100% Paulista', serei linchada na rua. Vão me dizer que sou 100% preconceituosa", aposta Luciana, que traz nas costas uma tatuagem com o antigo símbolo do Partido Republicano Paulista: a bandeira de São Paulo estampada em um lenço, cobrindo a cabeça de uma mulher.

Para a militante separatista, a resistência generalizada à transformação tem a ver com a ideia de o país perder sua dimensão superlativa: de ser um dos maiores do planeta, ter as mais simbólicas florestas ("a Amazônia é nossa?!"), o maior número de títulos na Copa do Mundo. Ela também considera que a mídia ajuda a tornar São Paulo o patinho feio no desenho geopolítico brasileiro. Certa vez, ao ligar a tevê num noticiário supostamente local, foi surpreendida por uma reportagem que falava sobre um bandido preso "na capital" por assalto à mão armada. "Mas aí mostrava uma polícia que não é daqui, com uma farda azul que eu não sei de onde é, com uma jornalista bonita que não fala a nossa língua", conta, para ironizar o sotaque carregado da âncora. "Não quero acreditar em teoria da conspiração, entendeu? Não quero ser uma lunática, mas as pessoas estão forçando a barra", constata, com resignada serenidade.

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Gente? O que é gente?

Você não presta, não te vejo como ser humano, não aceito seu salvador, mas quando você morrer, quero seus órgãos...

Israel has admitted that in the 1990s, its forensic pathologists harvested organs from dead bodies, including Palestinians, without permission of their families.

The issue emerged with publication of an interview with the then-head of Israel's Abu Kabir forensic institute, Dr. Jehuda Hiss. The interview was conducted in 2000 by an American academic, who released it because of a huge controversy last summer over an allegation by a Swedish newspaper that Israel was killing Palestinians in order to harvest their organs. Israel hotly denied the charge.

Parts of the interview were broadcast on Israel's Channel 2 TV over the weekend. In it, Hiss said, "We started to harvest corneas ... Whatever was done was highly informal. No permission was asked from the family."

The Channel 2 report said that in the 1990s, forensic specialists at Abu Kabir harvested skin, corneas, heart valves and bones from the bodies of Israeli soldiers, Israeli citizens, Palestinians and foreign workers, often without permission from relatives.

In a response to the TV report, the Israeli military confirmed that the practice took place. "This activity ended a decade ago and does not happen any longer," the military said in a statement quoted by Channel 2.

In the interview, Hiss described how his doctors would mask the removal of corneas from bodies. "We'd glue the eyelid shut," he said. "We wouldn't take corneas from families we knew would open the eyelids."

Many of the details in the interview first came to light in 2004, when Hiss was dismissed as head of the forensic institute because of irregularities over use of organs there. Israel's attorney general dropped criminal charges against him, and Hiss still works as chief pathologist at the institute. He had no comment on the TV report.

Hiss became director of the institute in 1988. He said in the interview that the practice of harvesting organs without permission began in the "early 1990s." However, he also said that military surgeons removed a thin layer of skin from bodies as early as 1987 to treat burn victims. Hiss said he believed that was done with family consent. The harvesting ended in 2000, he said.

Complaints against the institute, where autopsies of dead bodies are performed, at the time of Hiss' dismissal came from relatives of Israeli soldiers and civilians as well as Palestinians. The bodies belonged to people who died from various causes, including diseases, accidents and Israeli-Palestinian violence, but there has been no evidence to back up the claim in the Swedish newspaper Aftonbladet that Israeli soldiers killed Palestinians for their organs. Angry Israeli officials called the report "anti-Semitic."

The academic, Nancy Scheper-Hughes, a professor of anthropology at the University of California-Berkeley, said she decided to make the interview public in the wake of the Aftonbladet controversy, which raised diplomatic tensions between Israel and Sweden and prompted Sweden's foreign minister to call off a visit to the Jewish state.

Scheper-Hughes said that while Palestinians were "by a long shot" not the only ones affected by the practice in the 1990s, she felt the interview must be made public now because "the symbolism, you know, of taking skin of the population considered to be the enemy, (is) something, just in terms of its symbolic weight, that has to be reconsidered."

While insisting that all organ harvesting was done with permission, Israel's Health Ministry told Channel 2, "The guidelines at that time were not clear." It added, "For the last 10 years, Abu Kabir has been working according to ethics and Jewish law."

sábado, dezembro 12, 2009

O Pablo, o bongô e a cueca

O morador do quarto andar toca bongô. O fato de ele tocar bongô não é estranho. Estranho é o fato dele tocar bongô de madrugada. Parece um terreiro de candomblé. Nada contra candomblé, mas terreiro num prédio é completamente fora dos padrões atuais! Ou estou desatualizada?

Sei que o apartamento dele tem as mesmas (minúsculas) dimensões do meu (quarto/sala/cozinha/banheiro). Só atende às necessidades de, NO MÁXIMO, duas pessoas. Quando muito três, e esta terceira tem que dormir na sala. E é o que acontece quando recebemos visitas.

É difícil dormir aqui porque somos vizinhos da 23 de Maio e nosso quarto tem janela anti-ruído, logo, se algum morador fizer um barulho muito alto no seu apartamento, você ouve o barulho quadruplicado dentro do quarto. Na verdade, parece que você está dormindo dentro de uma caixa acústica.

Mas, voltando...

Então. O Pablo toca bongô de madrugada.

O Pablo toca bongô de madrugada durante a semana!

Bom, da primeira vez, era um barulho chato, um falatório. Interfonei na portaria:

- oi, Manuel, está tendo festa no prédio?

- tá sim, dona Luciana.

- então, você pode pedir pra que façam menos barulho?

- sim, dona Luciana.

Certa de que iriam respeitar as regras de todo e qualquer condomínio, voltei pra cama e fui tentar dormir.

Daqui a pouco... TUM TUM TUM TUM TUM!!!!

Sentei na cama e meu cabelo vibrava! O meu cabelo vibrava! Sentia-me como no desenho do Pica-pau com a porra da torneira que não fecha, que na verdade fecha, mas pinga, incessantemente, e ele quase morre, num surto de loucura, quase roxo de tanto sono, embriagado de tanto barulho, que no começo parece um tim tim tim discreto e depois começa a fazer tom tom tom e em seguida passa pra um TUM TUM TUM impossível de ser tolerado, até mesmo pra quem toma remédio tarja preta pra poder dormir. Parece que tem uma fanfarra na sua casa. Senti-me assim.

- Meu, não é possível! Este cara vive do quê? Será que ele não tem que acordar cedo? Será que toca em festa rave e tá ensaiando? Meu, que horror!

Liguei de novo pra portaria:

- Manuel, o que tá acontecendo? Onde é essa festa?

- É na casa do Pablo, dona Luciana.

- Então, quantas pessoas estão na casa do Pablo?

- Ah, umas 30...

TRINTA??? 30 pessoas dentro de um apartamento quarto e sala? TRINTA? Surtei! TRINTA??? Desliguei indignada. Vou chamar a polícia se esta merda de barulho não parar, eu tenho que fechar uma revista amanhã, porraaa!!!

Meu, foi revoltante.

Mas o Manuel, grande salvador da noite que foi, conseguiu impedir que eu chamasse a polícia e transformasse o prédio no treme-treme da Paim, pedindo pelamordedeus pra que o Pablo parasse de tocar bongô.

Passou uma semana. Quarta-feira, novamente.

Falatório, pessoas com bolas de ferro amarradas ao tornozelo, de tanto barulho que faziam, desta vez uma música trance, até que legal, mas pra quem tá numa festa, claro, não pra quem tá com a cabeça cheia de barbitúricos, tentando dormir.

- Não dá, eu vou ver onde é esse barulho.

Levantei, coloquei o vestido e fui zanzar nos corredores do prédio feito uma doente. Até aqui, eu não sei em qual andar o Pablo mora, porque eu nunca me interessei em saber o nome dos moradores, na verdade eu nem tenho tempo pra isso.

Cheguei no quarto andar. Um cartaz com uns dizeres malucos escritos com uma tinta fosforescente, uma luz vermelha na porta do 44 e um cheiro de canabis no corredor. Pensei: só pode ser aqui! Mas o barulho não vinha do 44 e sim do 41 que tem a mesma dimensão do meu. Bom, na hora constatei que no 4º andar só tem DJ de rave, não é possível!

Reclamei, desta vez o Pablo tinha recebido SÓ dez pessoas na casa dele. UFA! Coitado do apartamento!

Mas é claro que teve uma repercussão. No dia seguinte reclamei pro zelador e o mesmo me disse que a síndica também ouve os barulhos do 4º andar, mas os mesmos não a incomodam. Meu, a mulher é SÍNDICA! Porra, quem votou nessa infeliz?

O Pablo é um ser estranho. Ou os amigos dele, não sei. Só sei que no dia seguinte havia garrafa PET e latinhas de cerveja (cerveja ruim, diga-se de passagem) tudo esparramado no jardim ao lado do prédio. Ah claro, e na marquise do prédio havia uma CUECA. Sim, uma cueca. O Pablo ou um dos convidados lunáticos dele perdeu uma cueca!

Eu não consigo me imaginar no dia seguinte, pós-balada, percebendo que perdi a calcinha. Pra um homem então, é muito mais difícil perder a cueca, penso eu, afinal, pouquíssimos usam saia, uma cueca não escorrega (simplesmente) pelas pernas e cai pela janela como se fosse uma caneta de padeiro presa à orelha!

Não demorou muito e o Pablo tomou uma multa. Bom, pelo menos eu acho que ele tomou, porque ele interfonou de apartamento em apartamento dizendo que ele não fazia barulho e quando meu marido foi argumentar dizendo que o som estava muito alto o Pablo disse:

- mas eu coloquei a caixa de som em cima da TV!

Muito bem, Pablo. Vou te explicar uma coisa. Não importa o volume da música quando você muda a caixa de som do lugar, ou seja, isso nem "inflói" nem "contribói" pra diminuir o som. Aliás, eu queria entender seu raciocínio: coloquei a caixa de som em cima da TV ...

É, não sei, talvez você precise desenhar...

Haja barbitúrico...

E o lazarento do Pablo continua com o seu bongô, que eu torço pra que perca o couro, toda santa noite...

Amigo secreto no trabalho

Não existe mais amigo secreto no papelzinho. Atualmente existem sites onde vc cadastra todo o pessoal e faz o sorteio on line, troca mensagens on line, troca dicas de presentes, enfim, tudo o que você fazia com papéis, e que era muito mais divertido, agora você faz on line. Era digital.

Enfim...

Quando você for convidado para participar do amigo secreto on line e no site tiver a opção enviar recado anônimo PARA TODOS, resista à tentação e NÃO xingue o presidente da empresa. Isto não é de bom tom e você pode perder seu emprego.

Ou melhor: não xingue NINGUÉM. Você pode e vai acabar com a brincadeira de todo mundo, zoar o clima de festa e deixar todos com cara de bunda. E se te pegarem pelo IP você pode ser demitido por justa causa.

Não utilize este recurso pra dizer para a secretária da diretoria que ela é gostosa. Chame-a para sair, muito discretamente, e seja educado. Nada de usar uma porcaria de recurso infantil como este para se esconder. Seja homem, não garoto pré-adolescente.

RESUMINDO: Não utilize este recurso. Envie bilhetes anônimos somente para seu amigo secreto, e seja educado, mais cedo ou mais tarde, ele vai descobrir quem você é e se você usar palavras difíceis de serem contornadas, invista alto, muito alto no presente. Quanto maior o grau de dificuldade, mais caro deve ser o presente. Estou te avisando.

Colabore para um ambiente de trabalho mais saudável, seja menos rancoroso e mais honesto. Assim, você não vai precisa usar recursos como este e estragar a brincadeira dos outros.

segunda-feira, setembro 28, 2009

Um dia eu conheci um cara assim...

Tem gente que passa a vida sem assumir sua sexualidade. Às vezes morre de doenças graves, porque aquela dor fica tanto tempo reprimida que o cara acaba desenvolvendo um câncer.

Conheci alguns homens enrustidos, até namorei um. Pelo menos pra mim ele era. Primeiro, porque era homofóbico, mas tinha uma curiosidade imensa, embora não declarada, claro, pelo terceiro sexo. O mais curioso é que ele tinha fases em que a curiosidade aumentava, outras vezes ele sentia repulsa e até nojo de casais homossexuais, mas eu achava aquilo tudo muito estranho porque ele gostava justamente de morar perto de lugares com uma quantidade razoável do público GLSBTT.

Impressionante como o cara que tem problemas em se aceitar como homossexual tem sérias dificuldades emocionais, mais até do que uma mulher, e eles insiste em namorar mulheres, tentando encobrir aquilo que sente. Foi difícil, até entender que não era um problema meu e sim dele.

Se coisas do cotidiano se tornam difíceis, imagina manter uma relação sexual com uma pessoa que não se aceita? Ele dificultava tudo, era paranóico, tinha mania de perseguição e se sentia inferiorizado. Tinha uma baixíssima auto-estima, desenvolveu mania de limpeza, gostava de organizar livros e CDs em ordem alfabética, organizava as roupas por cores no guarda-roupas. Desenvolveu alergias, vivia com rinite, e tinha problemas emocionais com a mãe. Temia ser abandonado, rejeitado por ela, vivia uma vidinha medíocre na barra da saia da mãe. Precisava da aprovação dela pra tudo. Algo realmente muito triste.

Como consequência disso, hostilizava e ridicularizava as pessoas que não tinham problemas em se expressar.

Também, imagino que deva ser terrível você viver reprimido, com vergonha daquilo que você gosta, se forçando a ter uma vida infeliz, um relacionamento infeliz, tudo para que a sociedade te aceite.

Mas isso tem um nome: Homofobia interiorizada, ou Homofobia Internalizada.

E, uns dias atrás me lembrei dele e resolvi pesquisar no deus Google sobre este assunto e achei isto:

A classificação psiquiátrica para a Homofobia Internalizada é denominada de Transtorno da Preferência Sexual Egodistônica ou Orientação sexual egodistônica. Esta classificação no entanto, aplica-se no caso daqueles que já reconhecem a sua orientação sexual homossexual porém discordam ou rejeitam essa forma de ser e lutam contra seus sentimentos. O termo se opõe a Egodistônico, em que a pessoa concorda com seu próprio jeito de ser.

Como ele conhece meu blog, espero que leia meu post e de uma vez por todas, vá procurar ajuda e pare de bater punheta na frente do computador. De verdade.